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Daisypath Anniversary tickers "... E de novo acredito que nada do que é importante se perde verdadeiramente. Apenas nos iludimos,julgando ser donos das coisas, dos instantes e dos outros. Comigo caminham todos os mortos que amei, todos os amigos que se afastaram, todos os dias felizes que se apagaram. Não perdi nada, apenas a ilusão de que tudo podia ser meu para sempre." Miguel sousa tavares

DIÁRIO DE UM DONO DE CASA

por samokal, em 30.09.09
Recebi um mail ,que embora seja um pouco anti homem , me pareceu fantastico. Como tal decidi partilha-lo ...
 
 
 
 
Porque se queixarão as mulheres das lides domésticas se basta um pouco de organização?  


Segunda-feira

Sozinho em casa. A minha mulher foi passar a semana fora. Ora aí está uma excelente mudança. Vamos passar uma semana inesquecível, o cão e eu.  
Delineei um programa e organizei o meu horário. Sei exactamente a que horas me levantar, quanto tempo demoro na casa de banho e a preparar o pequeno-almoço. Acrescentei o número de horas de que preciso para lavar a loiça, fazer limpezas, passear o cão, ir às compras e cozinhar. Fiquei agradavelmente surpreendido com o muito tempo livre que ainda terei. Não percebo porque é que as mulheres se queixam da lida da casa se tudo isso exige tão pouco tempo.  
O segredo está numa boa organização.  
O cão e eu comemos um bife cada um ao jantar.  
Vesti-me a rigor, acendi uma vela e pus rosas numa jarra para criar uma atmosfera aprazível.  
O cão comeu paté de foi gras como entrada, repetiu a dose como prato principal, com uma requintada guarnição de legumes e biscoitos à sobremesa.  
Eu bebi vinho e fumei um charuto.  
Há muito que não me sentia tão bem.  

Terça-feira

Tenho de dar uma olhadela ao meu horário. Uns pequenos acertos.  
Expliquei ao cão que não se pode ter festa todos os dias e que por isso, não pode estar à espera de entradas e três tigelas de comida, que é claro, tenho de lavar.  
Ao pequeno-almoço, verifiquei que o sumo de laranja natural tem um inconveniente.  
É preciso lavar sempre o espremedor. Alteração possível: fazer sumo para dias. Assim só tenho metade do trabalho.  
Descoberta: posso aquecer salsichas dentro da sopa. Menos uma panela para lavar.  
É claro que não pretendo aspirar todos os dias, como a minha mulher queria. De dois em dois dias é mais que suficiente.  
O segredo está em andar de chinelos e limpar as patas do cão. Quanto ao resto sinto-me optimamente.  

Quarta-feira

Tenho a impressão de que afinal a lida doméstica leva mais tempo do que pensava. Preciso de repensar a minha estratégia.  
Primeiro passo:  
Comprei um saco de comida rápida. Não tenho de perder mais tempo com cozinhados. É um disparate 
perder mais tempo com a comida do que comê-la.  
A cama é outro problema. Primeiro é preciso sair de dentro do edredão, a seguir arejá-lo e por fim fazer a cama. Que complicação! Acho que não vale a pena fazê-la todos os dias, sobretudo porque nessa mesma noite voltarei a deitar-me. Parece-me inútil.  
Deixei de fazer refeições complicadas para o cão. Comprei algumas de lata. Ele fez má cara, mas não teve outro remédio senão comê-las. Se tenho de arranjar-me com refeições pré – cozinhadas, ele não é mais do que eu.  

Quinta-feira 
Acabou-se o sumo de laranja! Como é que um fruto aparentemente tão inocente causa tamanha confusão?  
É inacreditável! Vou passar a compara sumo engarrafado pronto a beber.  
Descoberta:  
Consegui sair da cama quase sem a desfazer. Basta-me depois alisar ligeiramente a roupa. Claro que é preciso uma certa prática, e não me posso mexer muito durante o sono.  
Doem-me um bocado as costas, mas nada que um bom duche quente não possa resolver.  
Deixei de fazer a barba todos os dias. É uma perda de tempo. Assim, também, ganho uns minutos preciosos que a minha mulher, como não tem de fazer a barba nunca perde.  
Descoberta:  
Não vale a pena usar um prato lavado de cada vez que como. Lavar a loiça tantas vezes começa a dar-me cabo dos nervos.  
O cão também pode comer só numa tigela. Afinal, de contas é um animal.  
Nota: cheguei à conclusão de que basta aspirar no máximo uma vez por semana.  
Salsichas ao almoço e ao jantar.  

Sexta-feira
Adeus sumos de fruta! As laranjas são muito pesadas.  
Descobri o seguinte: as salsichas sabem bem de manhã. Ao almoço nem por isso. Ao jantar, nem vê-las.
Salsichas mais de dois dias seguidos enjoam.  
O cão, esse, está a comida seca. Afinal de contas tem os mesmos nutrientes, e não suja a tigela. Descobri que posso comer a sopa directamente da panela. Sabe ao mesmo. Nem tigela nem concha. Assim já não me sinto tanto como uma máquina de lavar a louça.  
Já não lavo o chão da cozinha. Irritava-me tanto como fazer a cama.  
Nota: acabaram-se as latas. O abre-latas fica todo pegajoso!  

Sábado 
Que ideia é esta de me despir à noite se tenho de voltar a despir-me de manhã?  
Aproveito mas é o tempo para ficar mais um bocadinho na cama. E também não preciso de colcha, por isso a cama está sempre feita.  
O cão encheu tudo de migalhas. Pu-lo na rua de castigo. Não sou criado dele!  
Que estranho. De repente, dei-me conta de que é o que a minha mulher me diz às vezes… 
Hoje é dia de fazer a barba, mas não me apetece nada. Tenho os nervos em franja. Ao pequeno-almoço, só as coisas que não seja preciso desembrulhar, abrir, cortar polvilhar, cozinhar sem misturar. Tudo coisas que incomodem.  
Plano:  
Comer directamente do saco em cima do fogão. Nem pratos, nem talheres nem toalha, nem nenhum disparate desses.  
Tenho as gengivas um bocado inflamadas. Deve ser a falta de fruta, que é muito pesada para carregar.  
Se calhar, estou com princípio de escorbuto.  
A minha mulher telefonou à tarde a saber se tinha lavado as janelas e posto a roupa a lavar. Desatei a rir meio histérico. Disse-lhe que não tinha tempo para essas coisas.  
Há um problema com a banheira. Está entupida com esparguete. Também não estou para me chatear. Não me incomoda muito porque deixei de tomar duche.  
Nota:  
O cão e eu comemos juntos directamente do frigorífico. Tem é de ser depressa. Não convém deixar a porta 
aberta muito tempo.  

Domingo 
O cão e eu estamos sentados na cama a ver televisão. Vemos pessoas a comer todo o tipo de iguarias. Salivamos os dois. Ambos estamos fracos e rabugentos.  
Esta manhã comi da tigela do cão. Nenhum de nós gostou.  
Precisava de me lavar, barbear, pentear, fazer comida para o cão, limpar a casa ir às compras e uma série de outras coisas, mas não arranjo forças.  
Sinto que estou a perder o equilíbrio e que a vista me está a faltar. O cão deixou de abanar a cauda.  
Num último reflexo de sobrevivência arrastámo-nos até um restaurante. Durante uma hora, comemos toda a espécie de pratos óptimos.  
Em seguida, fomos para um hotel. O quarto é limpo, arrumado e confortável. Descobri a solução ideal para o governo da casa. Não sei se a minha mulher já se terá lembrado disso.
 

 


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Dá que pensar

por samokal, em 16.12.07

recebi (mais uma vez )este mail , mas desta vez tenho que publicá-lo aqui ,pois, é dos meus preferidos.

Pai quanto ganhas por hora?

 - Papá, posso fazer-te uma pergunta?

- Claro que sim. O que é?

-Quanto ganhas numa hora?

- Isso não é da tua conta. Porque me perguntas isso?! - respondeu o homem, zangado.

- Só para saber. Por favor... diz lá... quanto ganhas numa hora? - perguntou novamente o miúdo.

- Bom... já que queres tanto saber, ganho 10 euros por  hora.

- Oh! - suspirou o rapazinho, baixando a cabeça.

Passado um pouco, olhando para cima, perguntou:

- Papá, emprestas-me 5 euros?

O pai, furioso, respondeu:

-Se a razão de tu me teres perguntado isso, foi para me pedires dinheiro para brinquedos caros ou outro disparate qualquer, a resposta é não! E, de castigo, vais já para a cama. Vai pensando no menino egoísta que estás a ser.A minha vida de trabalho é dura demais para eu perder tempo com os teus caprichos!

O rapazinho, cabisbaixo, dirigiu-se silenciosamente para o seu quarto e fechou a porta. Sentado na sala, o homem ficou a meditar sobre o comportamento do filho e ainda se irritou mais. Como se atrevia ele a fazer-lhe perguntas daquelas? Como é que, ainda tão novo, já se preocupava em arranjar dinheiro?
Passada mais ou menos uma hora, já mais calmo, o homem começou a ficar com remorsos da sua reacção. Talvez o filho precisasse mesmo de comprar qualquer coisa com os 5 euros. Afinal, nem era costume o miúdo pedir-lhe dinheiro.Dirigiu-se ao quarto do filho e abriu devagarinho a porta.

- Já estas a dormir? Perguntou.

- Não, papá, ainda estou acordado. - respondeu o miúdo.

- Estive a pensar... Talvez tenha sido severo demais contigo? - disse o pai. Tive um longo e exaustivo dia e acabei por desabafar contigo. Toma lá os 5 euros que me pediste. O rapazinho endireitou-se imediatamente na cama, sorrindo:

- Oh, papá! Obrigado! E levantando a almofada, pegou num frasco cheio de moedas.

O pai, vendo que o rapaz afinal tinha dinheiro, começou novamente a ficar zangado. O filho começou lentamente a contar o dinheiro, até que olhou para o pai.

- Para que queres mais dinheiro se já tens aí esse? - resmungou o pai.

- Porque não tinha o suficiente. Agora já tenho! - respondeu o miúdo. Papá, agora já tenho 10 euros! Já posso comprar uma hora do teu tempo, não posso? Por favor, vem uma hora mais cedo amanhã. Gostava tanto de jantar contigo...

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