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Daisypath Anniversary tickers "... E de novo acredito que nada do que é importante se perde verdadeiramente. Apenas nos iludimos,julgando ser donos das coisas, dos instantes e dos outros. Comigo caminham todos os mortos que amei, todos os amigos que se afastaram, todos os dias felizes que se apagaram. Não perdi nada, apenas a ilusão de que tudo podia ser meu para sempre." Miguel sousa tavares

Aproximação aos "Entas"

por samokal, em 16.10.17

 

"É uma vitória amarga mas conseguida. Amarga porque os anos caminham, calmos e descontraídos, mas eu não. Todos os dias há mais alguma coisa que me desagrada, uma ruga que se aventurou a aparecer, uma dor que ensina que existem mais ossos e músculos do que aqueles que conhecia ou uma má disposição que dispensava.

Consegui. E sei-o porque estou vivo e cheguei a esta idade que se diz ser de amadurecimento. É atraente com este adjectivo e nem todos conseguem.

Ficar pelo caminho é desagradável e mostra o quão impotentes somos nesta aventura que se chama viver. É uma vitória, suada, mas conseguida. Nada tem a ver com justiça mas a aleatoriedade tem estes segredos.

E agora faço o balanço de tudo o que aconteceu. Cheguei à meia-idade. SIM!! Se viver 80 anos já é uma quantidade considerável de tempo, logo, estou no meio. Se quero viver mais? QUERO, todos querem, mesmo que digam o contrário. Viver é um desafio constante, uma guerra que nunca mais termina e tenho de ir mudando de armas. Combater passa a ser a palavra de ordem.

Olhando para trás, sem ressentimentos nem nostalgias parvas, está tudo aquilo que construí, o que conquistei, aquilo que fui. Está a minha vida, os sonhos, as decepções, a caminhada na carreira profissional e a família. Os namoros que tive e o sabor doce que deixaram, as relações que terminaram mal e que, apesar de lamentar, nada mais pude fazer, foram tão suaves e doces.

A vida sonhada não é igual à vida batalhada mas tem sabor a limite pessoal e único.
Família, pedaço de mim que dei e que me retribuíram... células que me mudaram o pensamento e a vida, anseios e desejos que crescem e se revelam. O compromisso real sobre a existência de ter o que tenho. 
Amigos, a eles devo "os tais momentos", alegrias, tristezas, paixões, desilusões, o nascer e o por do Sol, calor, frio, vento e chuva no rosto. Momentos loucos ou relaxantes. A felicidade de um amigo entretém-me, satisfaz-me, alegra-me e delicia-me. Não me tira nada. E eles, devo-vos quem sou.

São águas revoltas mas sábias, que me banham, me benzem e me baptizam.

Quando deixa de haver interesse e gosto em estar neste caminho, nesta novela sem guião prévio e cheio de improvisos, é que se torna pernicioso. Deixar de "ser" pode ser uma hipótese mas eu é que sei como estou ou como me sinto.

Nada é fácil e envelhecer é tramado. É ter de aceitar que o sol nasce mas a sua luz já não é tão quente que me aqueça totalmente. É olhar para a lua e não ver os sonhos mas sim os “buracos” (o que não foi nunca concretizado, a frustração e a negatividade). Olhar para o lado escuro é mais óbvio e menos cansativo. Há que agir de modo assertivo e tornear o obstáculo, limar-lhe as arestas e perceber que tudo volta ao local de partida.

Nada é eterno e tudo se modifica. Tenho competências que vou adquirindo e desenvolvendo. O reconhecimento profissional é um valor que estimamos, mas neste mundo, é muito trabalhoso. Tenho de o trilhar com determinação e força de vontade. Nada de desistir. Até porque só estou a metade da vida. Nós somos o receptáculo mas não somos passivos, somos decisivos.

E o amor, os sentimentos, aqueles que são meus, próximos, íntimos, fazem parte desta receita de vida que é tão importante. Não falho, simplesmente as situações não acontecem como tinha planeado. Recomeçar, palavra derivada por prefixação. Não devia ser, está incorrecto. É uma sufixação, vem depois do nome, acrescenta-se. Vive-se após e não antes. Incongruências da língua que em nada se relacionam com a vida. Voltar a cometer erros, iniciar uma profissão, um relacionamento, etc... São tudo recomeços.

A vida é mesmo assim, linear, redonda, quebrada, angular e de muitas outras formas que se possam imaginar e viver. Se cheguei até aqui é porque mostrei competências. As surpresas ainda continuarão a aparecer, é certo, mas a tranquilidade que adquiri permite-me perceber que nada sabemos, que somos uns eternos ignorantes.

O que sei eu sobre a vida? Nada. Penso que sou especialista e quando ela decide fazer-me um teste-surpresa é que percebo que a matéria não estava estudada. Por muitas revisões que tenha feito, sai sempre aquela matéria que domino menos, aquele capítulo que estava sempre a saltar e que nem queria ouvir falar. E quando me sinto mais confortável, depois da formação contínua, quando me endireito, surge uma nova prova global que altera tudo sobre aquilo que dizia que já não podia acontecer. É um ciclo vicioso. Tenho de ser humilde para admitir que serei aluno toda a vida.

A gora sim, estou nos "Entas"

 

Autor desconhecido

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